a primeira. ou segunda. tanto faz.

ela tinha mais desenvoltura perante as pessoas, era mais simpática, carregava uma certa experiência, porém, era demais pra ele. era muito diferente.
ele era ingênuo. bobão, mesmo. gostava do azul por falta de escolha. ainda não tivera percebido o charme das outras cores. ele não prestava.
não no sentido ruim. ele só era ninguém.
ao primeiro encontro dos dois, olhares. num segundo momento, sorrisos. no terceiro, beijaram-se. namoraram. amaram-se.
os dias passaram, e com eles, as semanas. os meses.
outono e inverno.

na primavera tudo acabou.
na primavera tudo acabava pra ele. mesmo não querendo.

a experiência da garota já não era mais experiência. era inconseqüência. as palavras não carregavam a mesma sonoridade doce, os olhares não se cruzavam, contradizendo o que as mãos faziam, pois essas sim, essas ainda estavam unidas. um disfarce.

os olhos negros e pequenos, por muitas vezes risonhos, escondiam os problemas. assim como o andar, a fala, o humor. outros disfarces. eram outras pessoas.
acabou. o fim.
a última conversa, o último abraço. demorado.
não houve último beijo. o sol se escondeu como quem não quisesse ter presenciado aquilo.

sobreviveu à primavera e ao calor africano do verão. calor que o fazia suar, mas que secava suas lágrimas. no outono, cresceu. era um homem.
ele tinha mais desenvoltura diante das pessoas, carregava uma certa experiência. era simpático. era demais pra ela. era diferente.
gostava do vermelho.

3 Respostas para “a primeira. ou segunda. tanto faz.”


  1. 1 marina Maio 17, 2008 às 17:04

    Isso mesmo, o vermelho é melhor que o azul =p

    O bom das ‘tragédias’ é que sempre saimos mais fortes. Assim como a lagarta que depois de sair do casulo pode não virar borboleta, mas vira algo mais forte, melhor =)

    =**

  2. 2 Thais Machado Maio 21, 2008 às 17:57

    putz, adorei essa.

  3. 3 Rita Junho 04, 2008 às 12:24

    esse arrepiou. nao comentei da primeira vez que li porque uma centena de pensamentos chegaram à minha cabeça e tive de ordená-los. =S

    me identifiquei de cara. nem me sobrevalorizando nem menosprezando. talvez seja sempre isso que acontece, talvez nao, mas comigo foi o que aconteceu. eu era demais pra ele, e no fim ele se tornou demais pra mim. chegaria a ter piada se eu nao precisasse tanto dele por perto.


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