a chuva que caía lá fora, ontem, me trouxe sensações que a tempos não sentia. as sensações de impotência e conformismo, acho.
era noite e não conseguia ver com que intensidade ela chegava ao chão, nem o tamanho das gotas, mas dava pra ter uma noção pelo som que faziam. um som espaçado, num tom médio. uma chuva normal. daquelas que caem pra lavar a cidade, tirar as sobras e trazer esperança de dias melhores com menos poluição, funk e futilidade.
infelizmente, a chuva durou pouco. pouco o suficiente pra faltar luz em casa. mesmo assim, ainda conseguia enxergar algumas coisas. talvez pelas nuvens cinzas do céu.
consegui escovar os dentes, com a ajuda do celular.
lavei o rosto, sempre entupido de oleosidade, pra dormir. poucos passos pelo corredor, e eu estava em frente à porta do meu querido e abafado quarto.
abri a porta. brasil e canadá empatavam em um a um.
a energia tinha voltado e a televisão ligou na globo. “ótimo”, pensei ironicamente. minha noite já tivera acabado.
tirei tudo da tomada, coloquei angie pra tocar no celular, e durmi.