me espreguiço, estralo cada um dos dedos das mãos e olho pro editor aberto.
olho pra porta que leva até a área de luz, do meu quarto, na esperança de cair um objeto do céu que me inspire à escrever algo.
troco seguidas vezes as músicas que tocam no winamp. preciso criar um clima bom pra escrever.
não consigo.
leio novamente, e deleto dois rascunhos que tivera feito semana passada. horríveis. vou à cozinha deixar o copo que usei pra tomar leite no café-da-manhã, aproveitando pra pegar uma fruta, já.
reparo na quantidade de pó que tem meu quarto, pensando em limpar. mas lembro que sou preguiçoso.
vejo uma pilha de livros que parece gritar “ME LEIA!”, e fico constrangido. deveria lê-los.
começo a mexer as pernas, por inquietação. um claro sinal do meu fracasso em criar um bom texto.
solto gazes. risos.
reparo, que no perfil do leo, sou o único homem que aparece entre os nove mostrados na página. fico feliz, afinal, não é sempre que fico cercado por mulheres, ainda por cima, gaúchas!
digito “popopopopopopopo” ou qualquer outra seqüência de letras, só pra dizer que digitei algo, já. apago.
procuro algo interessante no leitor de feeds, sempre aberto. nada de interessante até agora.
olho no relógio e já é quase meio-dia. hora de pensar no que fazer pro almoço.
me envergonho, por mim.
deixo a tela em branco.
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